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Para que serve a literatura? O risco da instrumentalização e o desafio da mediação

Em 26/05/26 14:27. Atualizada em 26/05/26 14:29.

Palestra ministrada pelo Professor Yvonélio Nery Ferreira na reunião do Conselho Diretor da Faculdade de Educação do dia 29 de abril

Durante a reunião do Conselho Diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, realizada na tarde do dia 29 de abril, promoveu-se uma palestra ministrada pelo professor Yvonélio Nery Ferreira, intitulada “Para que serve a literatura? O risco da instrumentalização e o desafio da mediação”. A atividade integrou o conjunto de discussões acadêmicas voltadas à reflexão sobre os processos formativos no campo da educação, reunindo docentes em torno de um debate fundamental: o lugar da literatura na formação humana e no contexto educacional contemporâneo.

Em sua exposição, o professor destacou que a literatura não deve ser compreendida a partir de uma perspectiva utilitária ou funcional. Ao contrário, sua potência reside justamente em sua capacidade de existir como experiência estética, formativa e afetiva, capaz de mobilizar emoções, valores e percepções de mundo. Nesse sentido, a literatura afirma-se como um espaço de diálogo, imaginação e exercício da consciência crítica, cujo projeto estético constitui um fim em si mesmo, e não um meio. A palestra também problematizou o desvio da instrumentalização do texto literário, prática recorrente em contextos pedagógicos nos quais a obra é rebaixada a ferramenta ou pretexto para ensinar conteúdos exteriores a ela. Segundo a reflexão apresentada, essa abordagem restringe a polissemia e destrói a fruição, reduzindo a complexidade humanizadora da arte a uma única mensagem útil ou lição de moral. Ademais, diferenciou-se o livro literário do informativo, sublinhando-se que este último cumpre uma função estritamente factual e não constitui literatura.

Em contraponto, ressaltou-se o papel fundamental da mediação no processo de leitura, concebida como a criação de um encontro livre entre o leitor e a obra, de modo a preservar a autonomia estética da arte. A mediação, entendida como uma prática pedagógica processual e sensível, favorece o reconhecimento do outro, a alteridade e o desenvolvimento da autonomia intelectual. Assim, o mediador – seja o professor, a família ou a comunidade – assume o papel central de cuidar desse encontro para que a literatura cumpra a “função” de ser literatura.

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